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MELO BREYNER, Francisco M. de (Conde de Ficalho)

(n. 27 Julho 1837; m. 19 Abril 1903)

 

Fidalgo da Casa Real e seu Mordomo-mor; Gentil-homem da Câmara do rei D. Luís I e do Senhor D. Carlos I; Conselheiro de Estado efectivo; Par do Reino; lente catedrático da cadeira de Botânica na Escola Politécnica de Lisboa, lente e director do Instituto Agrícola, hoje Instituto Superior de Agronomia; sócio efectivo da Academia Real das Ciências e da Sociedade de Geografia; alferes dos extintos batalhões nacionais, escritor, etc.

 

Era filho do marquês de Ficalho, António de Melo Breyner Teles da Silva, e de D. Maria Luísa Braamcamp de Almeida Castelo Branco. Apesar de suceder seu pai no marquesado, nunca utilizou o título de marquês.

 

Matriculou-se na Escola Politécnica em 1855, e foi um dos estudantes mais distintos e premiados, concluindo brilhantemente o curso a 15 de Julho de 1860. Através do decreto de 2 de Janeiro de 1864 foi nomeado, mediante concurso prévio, para leccionar a cadeira de Botânica, naquela escola.

 

Casou em 1862 com D. Josefa de Meneses de Brito do Rio, dama de honor da rainha D. Maria Pia. Era filha de D. Pedro Pimentel de Meneses Brito do Rio, comendador da ordem de N. Sr.ª da Conceição, senhor de vínculos na ilha Terceira, e de D. Maria Kruz.

 

Foi elevado a par do reino por carta régia de 29 de Dezembro de 1881, sobre a qual prestou juramento e tomou posse na sessão da respectiva câmara de 4 de Fevereiro de 1882. A data da concessão do título de conde é de 16 de Junho de 1862.

 

Exerceu diversas comissões diplomáticas, e foi quem representou Portugal, como embaixador extraordinário, nas cerimónias da coroação do czar da Rússia em Junho de 1896. O seu nome foi várias vezes lembrado em diferentes situações políticas para ministro dos estrangeiros, mas nunca fez parte de ministério algum.

 

Era grã-cruz da ordem de Carlos III, de Espanha, e cavaleiro das seguintes ordens de Leopoldo da Bélgica, Leão dos Países Baixos, Águia Vermelha da Prússia, Legião de Honra de França, S. Maurício e S. Lázaro de Itália e Ernesto Pio de Saxe-Coburgo.

 

Os seus trabalhos literários e históricos são muito apreciados, chegando a colaborar em diversas publicações literárias e científicas. No antigo jornal O Reporter escreveu um curioso artigo, intitulado: Quadro de costumes e paizagens alemtejanas. Muito dedicado à história dos portugueses na Índia, pois quando faleceu estava a trabalhar numa obra, que parece ter ficado por concluir, acerca dos portugueses na Índia. Desta obra destacou-se uma monografia com o título de Viagens de Pero da Covilhã (1898). Escreveu ainda Flóra dos Luziadas (1880) por ocasião das festas do tricentenário de Camões; Plantas uteis da Africa portugueza (Lisboa, 1884), obra de muito valor para o estudo da flora medicinal; Garcia da Orta e o seu tempo (Lisboa, 1886), comentário aos Colloquios desse homem de ciência; Colloquios dos simples e drogas da India por Garcia da Orta, edição anotada, Vol. II, (1891-1895). Os seus últimos trabalhos literários foram publicados na revista A Tradição, de Serpa, sob os títulos: Serpa sob o dominio dos sarracenos e Influencias mosarabes na linguagem dos pastores alemtejanos.

 

 

 

 

 

Portugal - Dicionário Histórico. Ficalho (Francisco Manuel de Melo, 3.° conde de). [Online] URL: http://www.arqnet.pt/dicionario/ficalho3c.html. Acedido a 29 de Outubro de 2007.

 

Publicado:

2007-10-30 11:24:08

   
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