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CORTESÃO, Jaime

(n. Ançã - Cantanhede - em 1884; m. 1960)

 

Poeta e historiador, filho do filólogo António Augusto Cortesão. Estudou em Coimbra, Porto e Lisboa, formando-se em Medicina em 1909.

 

Exerceu o professorado no Porto, enre 1911 e 1915. Foi eleito deputado pelo Porto durante a legislatura de 1915-17. Como voluntário fez a campanha da Flandres, sendo capitão-médico miliciano. Gravemente ferido em combate, foi condecorado com a Cruz de Guerra.

 

Em 1919 foi nomeado director da Biblioteca Nacional de Lisboa, cargo que exerceu até 1927. Fez parte da missão literária que acompanhou ao Brasil o Presidente da República, Dr. António José de Almeida, em 1922. Exilado no estrangeiro desde Fevereiro de 1927, viveu em Espanha, França, Bélgica e Inglaterra, continuando especialmente os seus trabalhos históricos e tomando parte em vários congressos internacionais.

 

Foi sócio da Academia das Ciências de Lisboa, do Instituo de Coimbra, do Instituto Histórico Varnhagen do Rio de Janeiro, e da Sociétè dês Americanistes de Paris. Viveu, desde 1940, no Rio de Janeiro, onde manteve junto da colónia portuguesa uma posição de destaque intelectual, dedicando-se sobretudo à regência universitária e a cursos especializados sobre a história dos descobrimentos portugueses e a formação territorial, política e cultural do Brasil. Em 1944, foi encarregado de um curso de história da cartografia do Brasil para diplomatas no Itamarati. Em 1952, organizou a Exposição Histórica de S. Paulo, durante a celebração do IV Centenário da fundação da cidade, recebendo da respectiva Câmara Municipal o título de cidadão benemérito (1957).

 

Polígrafo de incansável actividade e iluminado na decifração de alguns problemas históricos como o respeitante à bagagem de sigilo como clave de certas obscuridades na condução programática dos descobrimentos ou sobre o papel dos bandeirantes na exploração da selva brasileira e fixação das fronteiras políticas das Terras de Santa Cruz, não se furtou, todavia, pelo seu emotivismo radical a certas sobrevalorizações sentimentais, como a do dinamismo franciscano na expansão portuguesa ultramarina.

 

A sua paixão político-social que, de inicio, teve aspectos construtivos no movimento da Renascença Portuguesa, com o seu boletim A Vida Portuguesa (1912), de que foi director, comprometeu muitos dos seus juízos históricos, que só poderiam processar-se com inteira objectividade longe das agitações de momento e de condicionalismos circunstanciais, em que muitos dos seus trabalhos foram redigidos presos a um temperamento generoso, visceralmente poético e dramatizante.

 

Entre as suas obras destacam-se os livros de poesia: A morte da Águia (1909); Glória humilde (1914); Divina Voluptuosidade (1923); Missa da Meia Noite (1940). As obras de Teatro representadas em Lisboa: O Infante de Sagres (1916); Egas Moniz (1918); Adão e Eva (1921). Publicou ainda a colectânea Cantigas do Povo para as Escolas e o romance das Ilhas Encantadas (literatura para crianças). E os volumes de contos: Daquém e de Além Morte (1913); de viagens: Itália Azul (1922), Memórias da Grande Guerra (1919) e Cartas à Mocidade (1940).

 

 

 

In Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Lisboa; Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia Lda., [195-]. Vol. VII, pp. 816-817.


In Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura. Lisboa: Editorial Verbo, cop. 1967. Vol 6.º, pp. 67-68.

 

Publicado:

2007-10-22 12:08:26

   
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