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CENÁCULO VILLAS-BOAS, D. Frei Manuel do

(n. Lisboa em 1724; m. Évora em 1814)

 

Figura de relevo na cultura do século XVIII. Estudou na Casa do Espírito Santo, dos Padres Oratorianos. Ingressando na Ordem Terceira da Penitência, parte para Coimbra (1740) para frequentar Teologia na Universidade. Vai a Roma, ao Capítulo Geral dos Franciscanos (1750), momento em que se consciencializa a orientação iluminista, que viria a reflectir-se na sua obra futura de pedagogo e reformador. No regresso, imprimiu a Conclusiones de Lógica (1751), onde já revela as novas directrizes, ao ocupar-se da História como propedêutica filosófica, traduzindo aí a influência da História Critica da Filosofia de Bucker, bem como a introdução do grego em teses académicas.

 

Como reformador dos estudos Terceiros em Portugal, Frei Manuel do Cenáculo propõe novos métodos que terão repercussão em várias reformas do ensino, designadamente nos célebres Estatutos da Universidade de Coimbra de 1772, o que levará Pombal a aproveitar a sua colaboração na presidência das Juntas da Providência Literária, Real Mesa Censória e Junta do Subsídio Literário.

 

Como historiador e impulsionador da cultura, coube a Cenáculo a notável obra de erudição com objectivos de reforma pedagógica: a instauração do novo gosto, de uma mentalidade reformada que se projecta na economia dos estudos do seu clero (Disposições do Superior Provincial, 1769), na formação doutrinal e estilística do pregador (Memórias Históricas do Ministério do Púlpito, 1776) e abarcando mesmo a mais larga visão dos factos culturais, em obra consagrada à juventude do tempo (Cuidados Literários, 1791).

 

O pendor crítico de reacção à filosofia e teologia escolásticas conjuga-se no seu pensamento com duas directrizes metodológicas principais - o gosto do real e o matematismo. Interessou-se ainda pelo pensamento de R. Lulo, chegando a defender, em «tese» e outros escritos, a sua doutrina. Humanista de amplos conhecimentos linguísticos (conhecia o árabe, o siríaco, o aramaico, o latim), fomentou o estudo das ciências auxiliares da História (e.g. paleografia e numismática) e cultivou com entusiasmo a arqueologia, sobretudo após a morte de D. José I, e uma vez à frente do seu bispado de Beja (nomeado desde 1770), intensificou as suas investigações e fundou o primeiro museu público de História Natural.

 

Deve-se-lhe ainda a criação de muitas bibliotecas e o enriquecimento de outras já existentes (Biblioteca Pública de Évora, à qual dá um regulamento modelar; a do Convento de Jesus em Lisboa, actualmente Biblioteca Nacional) e ainda a instituição de academias culturais (em Beja, Évora, Lisboa). Tais directrizes correspondiam, aliás, às linhas culturais mestras do seu ideário iluminista, cuja execução prosseguiu incansavelmente até à morte, ocorrida quando já era arcebispo de Évora.

 

 

 

In Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura. Lisboa: Editorial Verbo, cop. 1963. Vol 4.º, pp. 1764-1765.

 

Publicado:

2007-10-22 11:41:42

   
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