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DAVID, Celestino

(n. Covilhã a 14 Janeiro 1880; m. Évora em 1952)

 

Erudito, escritor e publicista, investigador de mérito, formado em Direito pela Universidade de Coimbra. Foi administrador do concelho do Cartaxo e de Campo Maior, conservador do Registo Predial de Alfândega da Fé e de Vila Viçosa, funcionário do Governo Civil de Santarém e de Évora (1942).

 

Depois de concluído o curso do Liceu, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, em 1897. Nesta cidade foi condiscípulo e amigo de alguns homens que, mais tarde, tiveram lugar de relevo na vida cultural e política portuguesa, como João Lúcio, Augusto Gil, João de Deus Ramos, Augusto de Castro, João de Barros, João Ulrich, João de Almeida e José Teles.

 

Foi em Coimbra que publicou as suas primeiras obras literárias: O Livro de um Português, com uma carta prefácio de Silva Pinto (1900) e Pela Terra, contos em colaboração com Aníbal Soares (1901).

 

Terminado o curso de Direito instalou-se na Covilhã como acessor dum advogado local, dedicando-se ao jornalismo. Concorreu ao lugar de Conservador do Registo Predial, foi aprovado e colocado sucessivamente em Gouveia, Cartaxo, Alfândega da Fé e Vila Viçosa. Após breve colocação como 1.º oficial do Governo Civil de Castelo Branco, transitou em 1912 para Évora, onde se conservou até à data da sua aposentação.

 

Devotado amigo desta cidade alentejana fundou em 1920 o «Grupo Pro-Évora» sendo seu presidente durante 16 anos. Auxiliado por um grupo de personalidades ligadas às Artes e Letras, transformou esta associação num centro de paladinos da defesa do património artístico, arqueológico e monumental da cidade de Évora, que então corria sérios riscos de destruição no meio da indiferença geral. Devido à sua acção directa foram classificados pelo Estado como monumento nacional vários imóveis, núcleos urbanos antigos e as muralhas da cerca nova da cidade. Da meritória intervenção do «Grupo Pro-Évora» contam-se o restauro do claustro da Sé (1930), a remodelação e mudança do Museu Regional e da Biblioteca Pública, esta última primeiro para o Palácio Amaral e depois, em definitivo, para o Paço Metropolitano.

 

Desenvolveu constante actividade jornalística em mais de 80 periódicos regionais e nacionais, ora com artigos de intervenção no sentido da salvaguarda do património eborense, ora com artigos de divulgação sobre o valor e a presença da cultura e arte eborense na História de Portugal. A sua acção jornalística e o desdobramento desta através de conferências, despertou interesses e sensibilizou homens de Estado e escritores, facilitando a mudança de atitude em relação ao secular património eborense construído. De 1925 a 1952, a sua actividade jornalística encontrou-se distribuída pelos seguintes periódicos: Alentejo, O Alentejano, Alma Alentejana, Ala Esquerda, O Bejense, Boletim da Casa do Alentejo (Lisboa), Correio da Europa, A Cidade, O Comércio da Guarda, O Democrático, Diário dos Açores, Diário Popular, Diário da Manhã, Diário de Lisboa, Ecos viagrasansordonnancefr.com de Estremoz, Folha do Povo, Jornal do Meio Dia, Jornal da Europa, O Liberal, Notícias da Beira, A Pátria, A Rabeca, República, Renovação Nacional, Revista Transtagana, Revista de Arqueologia, Seara Nova, O Século, A Tarde, Democracia do Sul, Notícias de Évora, Diário do Alentejo, Correio do Sul, Jornal do Fundão, A Defesa, Brados do Alentejo, entre muitos outros.

 

A par desta actividade Pro-Évora, desenvolveu um trabalho literário revelando aptidões de contista, sobretudo na difícil arte da literatura infantil, de que salientamos as seguintes obras: O meu País de Maravilhas (1931); O avião da felicidade (1932) e A província dos Milagres (1940). Da sua paixão por Évora e pelo Alentejo saíram as obras: Alentejo-Terra de Solidão - Poemas Regionais (1926); Évora na História e na Arte (1930); Eça de Queirós em Évora (1945); Henrique Pousão (1947) e o Romance de Florbela Espanca (1949), obra considerada pela critica como uma das mais bem elaboradas biografias da poetisa.

 

Em 1950 foi homenageado publicamente pelo Governo Civil e pela Câmara Municipal de Évora, sendo-lhe conferido o título de Cidadão Honorário da Cidade e, em 1951, foi-lhe conferido o título de Oficial da Ordem de São Tiago da Espada, pelo Ministério da Educação Nacional.

 

Foi colaborador da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira.

 

 

 

 

In Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Lisboa; Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia Lda., [195-]. Vol. VIII, p. 418.

In
SILVA, Joaquim Palminha (coord.) - Dicionário Biográfico de Notáveis Eborenses 1900/2000. Évora: Tip. Diário do Sul, 2004. pp. 33-34.

 

Publicado:

2007-09-21 11:13:44

   
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