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CARVALHO, Maria Amália Vaz de

(n. Lisboa em 1847; m. Lisboa em 1921)

 

Poetisa e escritora eminente. Era filha de João Vaz de Carvalho e de D. Maria Cristina de Almeida e Albuquerque, e neta de Rodrigo Vaz de Carvalho, cavaleiro (não professo) da Ordem de Malta, casado com sua prima co-irmã D. Maria Amália de Sá Coutinho (filha de D. Rodrigo de Azevedo Sá Coutinho). Esta citação genealógica serve para demonstrar que a escritora descendia de avós ilustres nas letras e nas armas.

 

D. Maria Amália viveu grande parte da sua mocidade no solar dos seus pais, em Pintéus, próximo de Santo António do Tojal, concelho de Loures. Foi ali que Maria Amália escreveu o seu primeiro romance poético, Uma Primavera de mulher, que foi publicado em 1867 com prefácio do autor da obra D. Jaime. Em 11 Março 1874 casou com o poeta Gonçalves Crespo.

 

Em 1876 publicou o seu livro Vozes do ermo e os maiores escritores da época renderam-lhe calorosos elogios, tendo Guerra Junqueiro escrito expressamente uns versos que ficaram incluídos na Musa em férias. O seu talento fulgurava em várias modalidades. As suas primeiras crónicas, assinadas pelo pseudónimo Valentina de Lucena, chegaram a ser atribuídas a Andrade Corvo, a Casal Ribeiro e a Manuel Pinheiro Chagas. O mesmo sucedeu com os seus artigos políticos publicados no Repórter, nos quais julgaram ver a pena hábil de grandes jornalistas.

 

Mas, além da colaboração que mantinha em vários jornais, especialmente no Diário Popular e no Jornal do Comércio, com folhetins de crítica, e além de diversas traduções e crónicas para a imprensa brasileira, a obra de Maria Amália continuava a avolumar-se de ano para ano. Dos numerosos volumes com que enriqueceu a língua portuguesa, destaca-se Serões do Campo (1877); Arabescos (1880); Contos e fantasias (1880); Mulheres e Crianças (1880); Um conto (1885); Cartas a Luíza (1886); Alguns homens do meu tempo (1889); Crónicas de Valentina (1890); Cartas a uma noiva, Pelo Mundo fora (1896); A arte de viver na sociedade (1897); Em Portugal e no Estrangeiro (1899); Figuras de ontem e de hoje (1902); A vida do Duque de Palmela, D. Pedro de Sousa Holstein (1898-1903); Cérebros e corações (1903); As nossas filhas (1905); Ao correr do tempo (1906); Duquesa de Palmela - In Memoriam (1910); Impressões de Historia (1911); Coisas do Século XVIII em Portugal, Coisas de agora (1913); Páginas escolhidas (1920). Com a colaboração do seu marido, o poeta Gonçalves Crespo, escreveu Contos para os nossos filhos (1886), que o Conselho Superior de Instrução Pública aprovou para uso das escolas primárias.

 

 

 

In Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Lisboa; Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia Lda., [195-]. Vol. VI, pp. 82-83.

 

Publicado:

2007-09-21 11:51:20

   
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