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BRAGA, Joaquim Teófilo Fernandes

(n. Ponta Delgada a 24 Fevereiro 1843; m. Lisboa a 28 Janeiro 1924)

 

Professor, erudito, escritor. Era filho do professor de Matemática e Filosofia Joaquim Manuel Fernandes Braga e de D. Maria José da Câmara Albuquerque, descendente duma das mais antigas e nobres famílias açorianas. Teófilo Braga, que foi um fogoso repúblicano, era descendente de reis: de D. João V por linha paterna, e de D. Afonso III por linha materna.

 

O nome de Teófilo não figura no registo do baptismo nem foi adoptado como nome de família. Crismou-se a si próprio quando se matriculou nos primeiros estudos. Sentindo a atracção das letras, começou a colaborar no jornal O Meteoro (1858) e em O Santelmo (1859-60), formando assim o seu primeiro livro, Folhas verdes, que ele próprio compôs tipograficamente. Para se afastar o quanto possível dos maus tratos da madrasta, Teófilo passava os dias na tipografia do jornal A ilha, adquirindo tal prática no ofício, que chegou a chefiar os serviços.

 

Após uma discussão com o pai, ficou assente que seguiria para Coimbra. Em Abril de 1861 chegou à velha cidade universitária, onde levou uma vida de privações.

 

Nas suas férias de 1863 foi ao Porto, onde publicou o poemeto Stella matutina, que a célebre artista Manuela Rey recitou no teatro de S. João, e em Lisboa no de D. Maria. No ano seguinte publicou a Visão dos Tempos, o melhor da sua obra poética, que foi seguido de outra composição poética intitulada Tempestades sonoras. Foi com estas provas que se lançou na elaboração literária que agitava então a academia e que determinou a chamada «Questão Coimbrã», que se resumia na demolição da velha escola romântica e a iniciação duma nova época literária. Eça de Queirós apontou Teófilo como o representante da nova geração.

 

Não contando com protecções, viveu num pequeno quarto pago com o produto das lições que dava, traduziu Chateaubriand para se alimentar, chegando mesmo a passar algum tempo com sessenta réis diários. Mesmo assim, Teófilo conseguiu concluir o curso de Direito em 1866.

 

Em 1868 defendeu tese e tomou capelo, a pedido da própria Faculdade, que tinha por ele a mais justa admiração. Isto não obstou a que fosse preterido no concurso para lente. O mesmo lhe sucedeu na Escola Politécnica do Porto.

 

De 1869 a 1872 Teofilo publicou 14 volumes da Historia da Literatura Portuguesa. Foi então a concurso a cadeira de Literaturas Modernas do Curso Superior de Letras, fundado anos antes por D. Pedro V. As provas públicas deram a supremacia a Teófilo que, com erudição, critério firme e argumentação arrojada, arrebatou a assembleia e os próprios membros do júri. Entrando para o Curso Superior de Letras em 1872, abriu nova época na sua carreira. O Curso de filosofia positiva, de Augusto Comte, foi o incentivo da sua renovação mental.

 

Memoráveis as polémicas que travou com Ramalho Ortigão, Antero de Quental, Pinheiro Chagas e com Camilo Castelo Branco que, mais tarde, além de páginas elogiosas, lhe dedicou o famoso soneto A maior dor humana, por ocasião da morte quase simultânea dos seus dois filhos.

 

Republicano, tornou-se o mais estrénuo paladino das ideias federalistas. Implantada a República, Teófilo Braga presidiu ao Governo Provisório, voltando a ocupar, cinco anos depois, a suprema magistratura da nação, após os acontecimentos de 14 de Maio de 1915, que levaram à renúncia o presidente Dr. Manuel de Arriaga.

 

Manteve-se até ao fim da vida um doutrinador excelso, um investigador infatigável, apesar da cegueira que o torturou nos últimos anos de vida, sendo sua intenção escrever uma História Filosófica de Portugal que deveria ocupar uns quinze volumes. Teófilo Braga projectou também reunir em volume as polémicas que travou com Herculano, Camilo, Castilho, Antero, Oliveira Martins, Pinheiro Chagas, José Gomes Monteiro, Adolfo Coelho, Brito Rebelo, Anselmo Braamcamp Freire, Padre Manuel Oliveira Chaves e Castro, Fernandes Costa, Ricardo Jorge, Sílvio Romero e Júlio de Vilhena, dando ao volume o titulo de Balas frias. Não chegou a realizar o seu projecto. Aos 81 anos faleceu na sua modesta casa da travessa de Santa Gertrudes, na Estrela (hoje rua Teófilo Braga).

 

 

 

In Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Lisboa; Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia Lda., [195-]. Vol. IV, pp. 1036-1037.

 

Publicado:

2007-09-21 09:49:07

   
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