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BARATA, António Francisco

(n. Góis em 1836; m. Évora em 1910)

 

Erudito, publicista, escritor, historiador e grande observador dos costumes nacionais. Órfão e sem recursos, iniciou-se na vida profissional como aprendiz de barbeiro em Coimbra. Espírito curioso e amante da leitura, o contacto com os lentes da Universidade, que frequentavam a barbearia onde trabalhava, determinaram a sua formação de autodidacta.

 

Aos 24 anos publicou a primeira obra, sob o título, Lucubrações de Um Artista (1860), que reunia algumas composições poéticas. No ano seguinte (1861) dava à estampa a Breve memória histórica à cerca da velha Coimbra, arrasada por Ataces e Remismurado, e da fundação ou edificação da actual Coimbra; em 1862 um drama em quatro actos, A Conquista de Coimbra; e em 1863, as Novas Lucubrações de Um artista.

 

O Dr. Augusto Filipe Simões, que viu nele um jovem talento a apoiar, acabou por o levar para Évora a suas instâncias. Nesta cidade foi sucessivamente, encarregado do Posto Meteorológico, escrivão dos casamentos na Câmara Eclesiática, amanuense na Biblioteca Pública de Évora, auxiliar da catalogação da Livraria da Manisola e um dos primeiros organizadores do Arquivo Municipal, enquanto vereador da Câmara Municipal de Évora. Com a colaboração do seu amigo Gabriel Pereira, fundou a «Biblioteca Municipal», nome que convencionou adoptar para o serviço de leitura pública pós-laboral e nocturna da Biblioteca Pública de Évora.

 

Trabalhador infindável e polemista vigoroso, é extensíssima a sua obra dividida em vários géneros literários, tendo firmado alguns dos seus escritos com os pseudónimos de D. Bruno da Silva e Bonifaciano Tranca Ratos, este adoptado em polémicas e em assuntos que se prestavam à ironia. Colaborou com os vários periódicos existentes em Évora, Elvas, Estremoz, Barcelos e Coimbra. A sua bibliografia é bastante vasta, pois era profundo conhecedor dos costumes e história da região de Évora, dedicando à cidade a sua vida e erudição, através de ensaios de história e arqueologia. Escreveu romances históricos como O Manuelinho de Évora (1873), fez recolha de composições para o Cancioneiro Quinhentista (1902), que se pretendia a continuação do de Garcia de Resende. Colaborou também no Dicionário Heráldico e no Dicionário Espanhol-Português e Português-Espanhol de Figanière (1879).

 

Espírito empreendedor, foi fundador da «Typographia Minerva», inicialmente situada na Praça de Giraldo, nº40 e 41. Nos primeiros anos do século XX, já velho e doente, ainda produziu algumas obras: Évora e seus arredores (1904), Évora Antiga (1909), e Homenagem de Évora a Alexandre Herculano (1910).

 

Nos últimos anos da sua vida, procurou deixar uma bibliografia de toda a sua produção, Escritos e Publicações de António Francisco Barata - 1866-1908. Personalidade controversa para muitos seus contemporâneos, a verdade é que foi homem singular.

 

Um dos seus traços mais característicos talvez fosse o desprendimento dos bens materiais. Entre muitas histórias sobre a personalidade conta-se que A. F. Barata decidiu desfazer-se da sua biblioteca, balizado na opinião de que, tendo ao dispor a Biblioteca Pública de Évora (onde trabalhou até morrer), pois não necessitava de «estante própria». O Catálogo do Museu Arqueológico da Cidade de Évora, impresso em 1903, é obra sua, e foi sócio correspondente da secção arqueológica do Instituto de Coimbra.

 

Da sua vasta bibliografia destaca-se ainda: Esboços Cronológico-Biográficos dos Arcebispos da Igreja de Évora (1874), Memória Histórica sobre a Fundação da Sé de Évora e as Suas Antiguidades (1876), O Último Cartuxo (1891), O Alentejo Histórico, Religioso, Civil e Industrial... (1893), A Monja de Cister (1895).

 

 

 

In Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Lisboa; Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia Lda., [195-]. Vol. IV, pp. 161-162.

 

In SILVA, Joaquim Palminha (Coord.) - Dicionário Biográfico de Notáveis Eborenses 1900/2000. Évora: Tip. Diário do Sul, 2004. pp. 13-14.

 

Publicado:

2007-09-21 09:31:49

   
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